É deprimente ver as cenas
noticiadas nos jornais de pessoas morrendo nos corredores dos
hospitais muitas vezes, sem atendimento. Essas imagens do descaso com a saúde
pública em nosso país são diariamente vinculadas na televisão. Nessas
reportagens são mostrados seres humanos jogados em macas ocupando corredores de
hospitais públicos que estão superlotados, sem leitos suficientes para atender
a todos os pacientes.
Não existe maneira de não se incomodar com esse descaso do
governo, muita gente morre sem ser atendida, ás vezes nem chegam a entrar nos
hospitais morrem na calçada. O que mais me chocou na reportagem que assisti foram os casos de mulheres grávidas que perdem
seus bebês sem atendimento, não podendo ter um parto digno e algumas mulheres
morreram sem ser socorridas, essa são pessoas que são vítimas de um
sistema de saúde que precisa passar por reformas administrativas,
orçamentárias, e uma ampla reflexão sobre humanidade.
Esse quadro em que se encontra a saúde pública em nosso país é muito triste. Como se não
bastasse tanto clamor da população por justiça, pela falta de atendimento ou
por terem um atendimento de má
qualidade. Isso não é o mais agravante existem também os erros de alguns
médicos, de enfermeiros e técnicos de enfermagem são crimes que muitas vezes
não tem explicação. Como o caso da técnica de enfermagem que injetou
vaselina na veia de uma paciente no lugar de soro, esse é apenas um exemplo do
que já aconteceu e vem ocorrendo.
Não quero generalizar culpar esse ou aquele profissional da
saúde por que existe também o lado deles, de longas jornadas de trabalho,
alguns com salários muito baixos, condições precárias de trabalho. Mas a
população não pode pagar pelas falhas no sistema de saúde, portanto como seres
humanos que erram como em qualquer outro área de atuação também tem seus
erros. Esses profissionais precisam também ter voz e serem ouvidos sobre essa
caótica situação, entretanto lidar com vidas exige muito mais atenção e
cuidado. E é preciso levar em consideração os votos feitos na universidade de
medicina, de enfermagem ou no curso técnico, onde o que os votos falam principalmente sobre o respeito ao ser
humano. Esse juramento muitas vezes, pode estar esquecido por alguns
profissionais da saúde que visam muitas
vezes, mais o dinheiro que recebem do que as vidas de quem os procura, isso é
um fato que infelizmente acontece em alguns lugares.
Não queremos profissionais da saúde como robôs sem
sentimentos, entrar em um consultório e o médico nem te olhar nos olhos, apenas
escrever o que você tem, sem ao menos te perguntar como se sente? Onde dói?
Queremos que nos olhem e nos enxerguem! Mesmo que você não tenha dinheiro para
pagar pela consulta e recorre ao SUS, ainda, assim tem que ter o mesmo direito que um paciente que paga.
Mas sabemos que isso, nem sempre ocorre e que muitas vezes, o mesmo profissional
da saúde que o atende na rede pública ou privada é o mesmo, mas o atendimento
muda se você vai para um hospital ou clínica particular. E ou não é verdade?
Não nego a importância de um médico (a), um
enfermeiro(a), um técnico(a) de enfermagem sem vocês
não existiríamos, porque necessitamos muitas vezes, de atendimento
médico. Se você é um profissional da saúde te parabenizo pela sua escolha
profissional, porque você é alguém comprometido com o valor das pessoas, se
preocupa com o bem estar delas. Mas você há de convir comigo que em qualquer
área de atuação existem os bons e os maus profissionais, e que a maioria da
categoria não deve ser responsabilidade por erros da minoria, e que para
que a situação mude é preciso ir a luta, não deixar de fazer a sua parte
mesmo que a situação seja ruim e cobrar do governo junto com a população
maior investimento na área de saúde no Brasil.
Não quero atingir com meu relato esse ou aquele
profissional da saúde até porque tenho na minha família, profissionais da área
de saúde. O que busco é uma discussão sobre o que vemos acontecer todos os dias
em hospitais espalhados por todo o Brasil. Emociono-me ao ver pessoas
desoladas, doentes precisando de cuidados, muitos desses pacientes indo a óbito
sem serem atendidos.
O que me choca e que não posso deixar de comentar é que em
hospitais particulares muitas vezes , quando o paciente chega com estado grave
ou não primeiro perguntam para a família do doente, se eles têm dinheiro para
pagar? Para só depois socorrem a pessoa em questão. Essa pode não ser a nossa
realidade aqui de Juara, mas isso ocorre em muitas localidades. E se isso
acontece ou não aqui em nosso município você leitor sabe, nem preciso
perguntar, se isso ocorrer ou não os fatos serão vistos.
Há alguns meses assistindo a um jornal vi um caso que me
chamou muito a atenção, a reportagem falava sobre a saúde pública em nosso país
foi mostrado sobre a morte de um senhor
que chegou passando muito mal em um hospital da rede pública, e lá nesse
hospital não foi atendido por conta da superlotação, a família desse Senhor
tentou argumentar com os funcionários do hospital o porquê do não atendimento? Mas
os familiares dele não obtiveram maiores esclarecimentos só foi lhes
dito que não tinham mais leitos disponíveis e que não podiam fazer nada, que
eles procurassem por outro hospital. Então, desesperada a família desse idoso o
levou para um hospital particular, mas chegando lá, eles foram barrados na
recepção, antes do atendimento uma funcionária perguntou se os mesmos tinham
dinheiro para pagar a consulta, isso antes que qualquer pergunta fosse feita
sobre o estado do paciente a questão financeira foi levantada. Diante disso a
família do idoso disse não ter o dinheiro naquele momento, mas implorou para
que ele fosse atendido e imediatamente depois disso, eles os familiares
buscariam o dinheiro. Mas não teve conversa à atendente disse que eles
precisavam pagar adiantado para que o Senhor pudesse ser atendido. Por isso um
dos filhos da vítima pegou o carro e correu até um caixa eletrônico para sacar
o dinheiro que pagaria o atendimento, mas quando voltou seu pai já havia
falecido no corredor do hospital. Esse fato é corriqueiro em muitas cidades,
mas choca muito, não podemos nos anestesiar e fingir que é normal, pois não é!
Um repórter depois do falecimento do Senhor que
havia falecido no corredor do hospital particular, perguntou para uma amiga da
família do idoso, o que ela tinha a dizer sobre o acontecido? Ela disse
indignada que o lamentável acontecimento havia sido um descaso, falta
de respeito com o ser humano. Triste, não? Não dá pra não se incomodar com
isso!
Esses fatos acontecem diariamente no Brasil e enquanto a
saúde pública ''agoniza ‘‘, só se fala da Copa do Mundo em 2014 e se investem
milhões na reforma e construção de novos estádios. Isso é uma
tremenda ironia, parece que importa mais a promoção do Brasil no exterior, do
que a saúde da população. Bem, pode ser só impressão essa aparente
indiferença do poder público, mas essa realidade causa revolta.
Não sou contra a realização da Copa do Mundo aqui em nosso
país, mas acho que a prioridade não deve ser só esse evento de proporções
mundiais. Penso que o governo precisa voltar seus olhos para o povo, os pobres
os necessitados, os doentes que não têm condições de pagar para serem atendidos
em hospitais particulares, investir em melhorar a saúde pública no Brasil com
melhores salários para os profissionais da saúde, cursos de qualidade, preparo
para realizar as funções com eficiência, hospitais bem equipados. E é essencial
estabelecermos discussões sobre o que tem dado certo e o que pode ser melhorado
com relação à saúde. Não pense que a sua ou a minha opinião não faça diferença,
pode ser que não resolva de imediato, mas falarmos sobre o assunto já é um passo para a mudança.
Esse é apenas um desabafo não levem isso para o lado
pessoal, apenas me preocupo com meu semelhante e quero que esse quadro
deprimente da atual crise na rede pública de saúde no nosso pais melhore
significativamente, ao ponto de um dia sermos referência de atendimento de
saúde perante as outras nações e sermos lembrados não só como o melhor futebol
do mundo, mas também como um país que se preocupa com a saúde e bem estar da
população.




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